A periferia do futebol europeu
Portugal deixou de ser um mercado. Passou a ser um corredor. O que isso implica para quem quer ficar.
A discussão sobre a competitividade europeia do Benfica costuma começar no orçamento. Devia começar na geografia económica.
Os clubes portugueses operam hoje num corredor de trânsito: recebem talento sul-americano, valorizam-no, exportam-no. O corredor é rentável e estruturalmente limitante — quem vive de fluxo não acumula.
A pergunta incómoda é se existe alguma configuração em que um clube de periferia acumule sem deixar de vender. A resposta honesta é que nenhum clube português a encontrou ainda, e que fingir o contrário é a forma mais cara de optimismo.